Aí que as coisas ficam desse jeito... lembranças fora do lugar, medo de retomar qualquer coisa ou uma coisa qualquer, uma demonstração desconsertante, uma provocação abafada, esbarrões daqueles que costumávamos fazer sem querer e de propósito também, frases usando a praga do "quase" e o contato por inteiro.
Respiro fundo.
Desabafo com os amigos, que me fazem refletir sobre as minhas obscenidades... como se gostasse de colecionar mini-dramas à toa e fazer metáforas com qualquer folha que cai perto de mim. Como se desse importância demais às coisas pequenas. E aí as estatísticas me assombram (ai as estatísticas), mais de 11 bilhões de pessoas só em São Paulo e o mundo sempre faz seus arranjos de esbarrões e coincidências.
"... mas cheguei à conclusão de que eu não posso acreditar mais na aleatoriedade (no caso me refiro às tantas vezes que nos cruzamos por acaso) do que nas coisas propositais. Eu sei que nem tudo é premeditado, mas as coisas certamente não são despropositadas."
Sem querer, a coisa já veio ao pensamento retomado pela memória. E aquela velha canção fica (me) tocando. E eu não sei o que fazer com isso. E esse papo de fé, a coisa toda da ordem dos eventos. Como faz a cabeça rodar! Me assolam o devir e o dever; como devo me posicionar perante os eventos do mundo? E perante as pessoas?
Pois bem, nada disso importa, pois vou voltar a ver estrelas em nova companhia. E volto para lá tendo me dedicado a me pensar no que eu quero, como me foi proposto (talvez de forma menos disciplinada do que deveria ter sido). Todas as velas foram queimadas, mas sinto que faltam definições, apesar das resoluções e revoluções internas todas.
E vou prestar atenção sobre viver e se manter no presente, como ele me disse. A nota dele não dói meus ouvidos e sinto coisas boas. Mas a metáfora da pimenta, a idéia antiga e adolescente do "only happy when it rains", a insatisfação e o desejo que nos movem... tudo isso ainda me atormenta, por se tratar de coisas assim, imprevisíveis e aparentemente incontroláveis, de todos os lados e de todos os ângulos.
Eu que não fumo, queria um cigarro...
sábado, 6 de fevereiro de 2016
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Assumindo riscos e a tal da fé
[Ai, vida. Por que tantas metáforas?]
Como sempre, as charadas naturalmente saem da minha boca, ainda que sem intenção de serem. Disse pra eles algo sobre às vezes não termos o cadeado quando precisamos, às vezes até temos o cadeado, inclusive a corrente, mas ficou faltando a chave. Várias combinações desfavoráveis possíveis e muito mais plausíveis aí. Ele me disse (e eu escutei) a bobagem-nem-tão-bobagem-assim do Valar Morghulis, Valar Dohaeris.
As amarrações, os destravamentos e as passagens. Às vezes livres, às vezes não. Com o tempo, vamos conseguir o que queremos, exatamente da forma que queremos. Perto, acessível, prazeroso, tranquilo, instigante e desafiador. Like a dream coming true, se você quer ser piegas e mostrar que até o lado Disney tem seu encanto. Porque se não for pra ser por inteiro e de verdade, eu nem quero que seja - e nem você deveria querer.
The thing is... você vai precisar mudar. E se planejar direitinho. E tomar muito cuidado para não acabar abrindo mão das coisas importantes. No entanto, saber o que é importante e inegociável demanda muita análise crítica. E bolas. Saber o que você precisa, por outro lado, é apenas uma questão de disciplina do exercício da sua capacidade de projetar idéias no mundo. Comece a tornar tudo verdadeiro desdjah.
Como sempre, as charadas naturalmente saem da minha boca, ainda que sem intenção de serem. Disse pra eles algo sobre às vezes não termos o cadeado quando precisamos, às vezes até temos o cadeado, inclusive a corrente, mas ficou faltando a chave. Várias combinações desfavoráveis possíveis e muito mais plausíveis aí. Ele me disse (e eu escutei) a bobagem-nem-tão-bobagem-assim do Valar Morghulis, Valar Dohaeris.
As amarrações, os destravamentos e as passagens. Às vezes livres, às vezes não. Com o tempo, vamos conseguir o que queremos, exatamente da forma que queremos. Perto, acessível, prazeroso, tranquilo, instigante e desafiador. Like a dream coming true, se você quer ser piegas e mostrar que até o lado Disney tem seu encanto. Porque se não for pra ser por inteiro e de verdade, eu nem quero que seja - e nem você deveria querer.
The thing is... você vai precisar mudar. E se planejar direitinho. E tomar muito cuidado para não acabar abrindo mão das coisas importantes. No entanto, saber o que é importante e inegociável demanda muita análise crítica. E bolas. Saber o que você precisa, por outro lado, é apenas uma questão de disciplina do exercício da sua capacidade de projetar idéias no mundo. Comece a tornar tudo verdadeiro desdjah.
--
"Eu não vou te mandar pro inferno
Porque eu não quero
Porque eu não quero
E porque fica muito longe daqui"
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
How much love you're gonna make
Ignorance is bliss when you're young enough to kiss and there is no need for pardons with the young. You know I've always felt old.
Be careful. With yourself and others. The desire for no hard feelings might trick you.
Watch the time. The permanence into the present might stuck you.
Sober up. They say that the absense makes the heart go fonder.
Sceptcism and Faith. Imagination and realization. Moving on is easy, but is it posible to dream on? I wonder - and it is wonderfull. Great time for planning.
--
So over being daddy. Can't stop advising, though.
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Se sienta a la mesa y escribe
Vaidade minha, confesso. Me importo e queria que ficasse bom. Tenho escondido aqueles versos como se o tempo por si só os fossem melhorar. Estão ruins e me falta habilidade na linguagem. Há algo que a prática deveria melhorar (mas eu ainda não a tenho), que o desejo deveria impulsionar e inspirar. Me incomoda realmente aquela parte fraudulenta que vez ou outra quer tomar espaço.
«con este poema no tomarás el poder» dice
«con estos versos no harás la Revolución» dice
«ni con miles de versos harás la Revolución» dice
Você me faz pensar que merece o requinte que não tenho ferramentas pra te proporcionar. O contrário curiosamente me parece verdadeiro e vejo encanto recíproco. Acho que talvez possamos mais e melhor juntos. Mas não abafe nem espalhe; sejamos precisos. Para que eu não morra afogada por você e nem você por mim - até que nem tanto esotérico assim.
Porqué esperar para cambiar
de murga y de compás
[...pretentious shit]
[...pretentious shit]
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Player
Eu era goleira. No jogo com os meninos e com as meninas. E parte disso tem a ver com a educação que meu pai me deu... por ser do esporte, queria treinar a melhor desenvoltura, sem medo. Ele trabalhava com quem tinha dificuldade, queria que todo mundo pudesse jogar. Por ser menina, sempre tentou me envolver. Por ser filha, me ensinou e insistiu que eu aprendesse a me defender. Agradeço muito por esses ensinamentos, me foram de grande valor.
Com os meninos, havia dois cenários: aqueles que tinham pena, por ser menina no gol, e, por conseqüência, "pegavam leve", configurando vantagem para o time que me abraçasse... e aqueles que ficavam putos, por ser menina, e "pegavam pesado", até mesmo pra que eu deixasse de estar ali, melhorando as minhas habilidades até mesmo por subestimar minha capacidade de resistência ou de me deixar intimidar. Nunca tive medo de apanhar, acho que isso é um vício e uma virtude. Dor para mim era familiar. E meu corpo nunca se fez de frágil. Recuperação rápida.
Eu gostava da adrenalina da competição. Por isso no handebol também entrei na linha. No futebol muito pouco porque me faltava realmente a habilidade (ainda me falta). Pois bem. Defesa. Aprendi de muitas formas a me defender e a encarar de frente, esperta, tentando prever e me preparar. Isso te dá algum conhecimento sobre o ser humano e sobre a previsibilidade de suas estratégias também. E o xadrez... o xadrez sempre me ajudou nesse sentido.
O lance é que, na vida, as regras não são claras. Somos juízes de nós mesmos, dos outros e temos que entender sob quais regras estamos sendo submetidos e ao mesmo tempo estamos nos submetendo. Às vezes não aceitamos. Às vezes tentam nos convencer, só para te manterem em campo. Porque você sabe jogar, porque o prêmio na estante é importante, bem como a grana da competição. Só que não quero ser jogadora profissional, quero brincar conforme a minha conveniência. Não quero me associar a nenhum time, não quero assumir identidade... só quero tornar o mundo e a minha vida um lugar mais lúdico, saudável e divertido pra todo mundo. Faz sentido?
Pois bem. Há algo de belo na desenvoltura das capacidades e habilidades do ser humano, mas há algo de escroto e sujo no jogo. Que possamos manter a ilusão da separação entre as coisas e a diplomacia de se jogar pelo esporte. Dos acordos não selados, das expectativas não declaradas, declaro: estou jogando pelo time, mas isso não pode ser encarado de outra forma como senão facultativo e prazeroso para mim. Está fora das mãos do juiz e do técnico a voluntariedade do jogador e sabemos que isso irrita. Irrita porque faz parte do jogo do técnico conduzir pro resultado esperado. Mas só se deixa conduzir quem está convencido de que quer aquele resultado, confia nas técnicas e estratégia que lhe foram apresentadas.
Com os meninos, havia dois cenários: aqueles que tinham pena, por ser menina no gol, e, por conseqüência, "pegavam leve", configurando vantagem para o time que me abraçasse... e aqueles que ficavam putos, por ser menina, e "pegavam pesado", até mesmo pra que eu deixasse de estar ali, melhorando as minhas habilidades até mesmo por subestimar minha capacidade de resistência ou de me deixar intimidar. Nunca tive medo de apanhar, acho que isso é um vício e uma virtude. Dor para mim era familiar. E meu corpo nunca se fez de frágil. Recuperação rápida.
Eu gostava da adrenalina da competição. Por isso no handebol também entrei na linha. No futebol muito pouco porque me faltava realmente a habilidade (ainda me falta). Pois bem. Defesa. Aprendi de muitas formas a me defender e a encarar de frente, esperta, tentando prever e me preparar. Isso te dá algum conhecimento sobre o ser humano e sobre a previsibilidade de suas estratégias também. E o xadrez... o xadrez sempre me ajudou nesse sentido.
O lance é que, na vida, as regras não são claras. Somos juízes de nós mesmos, dos outros e temos que entender sob quais regras estamos sendo submetidos e ao mesmo tempo estamos nos submetendo. Às vezes não aceitamos. Às vezes tentam nos convencer, só para te manterem em campo. Porque você sabe jogar, porque o prêmio na estante é importante, bem como a grana da competição. Só que não quero ser jogadora profissional, quero brincar conforme a minha conveniência. Não quero me associar a nenhum time, não quero assumir identidade... só quero tornar o mundo e a minha vida um lugar mais lúdico, saudável e divertido pra todo mundo. Faz sentido?
Pois bem. Há algo de belo na desenvoltura das capacidades e habilidades do ser humano, mas há algo de escroto e sujo no jogo. Que possamos manter a ilusão da separação entre as coisas e a diplomacia de se jogar pelo esporte. Dos acordos não selados, das expectativas não declaradas, declaro: estou jogando pelo time, mas isso não pode ser encarado de outra forma como senão facultativo e prazeroso para mim. Está fora das mãos do juiz e do técnico a voluntariedade do jogador e sabemos que isso irrita. Irrita porque faz parte do jogo do técnico conduzir pro resultado esperado. Mas só se deixa conduzir quem está convencido de que quer aquele resultado, confia nas técnicas e estratégia que lhe foram apresentadas.
domingo, 13 de dezembro de 2015
Carta à banda Flicts
Olá!
Estive presente no Alves ontem, no show de vocês. Não foi o primeiro, nem o segundo, nem o terceiro show que eu presencio... na verdade eu acompanho a banda há mais de dez anos. E eu estudei no Alves, de 2005-2007, no período em que o Johnny estudou lá, com a turma dos "rosqueiros", como pejorativamente éramos chamados (alguns mais pro punk, outros mais pro metal, mas éramos uma turma, as pessoas tinham banda e foi uma fase em que rolavam muitos festivais em escola também). Essa turma virou grêmio e por 2 anos se dedicou àquela escola defendendo o que a gente acreditava à respeito de uma educação pública de qualidade, fazendo manifestação sim e com nossos ideais políticos já muito aflorados, apesar da juventude. A presença do Johnny era notável no colégio e muitas vezes as ações eram chamadas por ele. Então foi muito simbólico e importante pessoalmente estar naquele lugar, naquela situação.
Não vou parabenizar, pq acho que nem é o caso quando se trata apenas do que considero razoável, mas vou dizer que "gostei de ver" a postura mediante a contestação que foi feita no facebook pela menina Gabriela Macedo, especialmente em comparação ao péssimo discurso que foi feito pelo Ariel no evento. O debate é essencial e autocrítica também, mas falta isso pra quem está preocupado de dar carteirada e apavoro em menina, né? Particularmente tenho uma grande afinidade com o punk rock e desde meus 13 anos já estava colando pra ver show do Cólera, e meu primeiro contato com vocês foi justamente por meio do álbum "Canções de batalha", mais ou menos nessa época também. Pois bem, eu me lembro do contato com a cena straight-edge também nessa época e o quanto que a tal da cena punk apresentava linhas ideológicas diferentes, mas em comum a todas elas uma pegada de machismo pesada no Brasil. Se a sociedade é machista, pq esperar q seria diferente na cena, né? Aquela coisa de não ter nada mais parecido com um machista de direita do que um machista de esquerda. Mas enfim, como muitas meninas, tendi pro lado das riot grrrl, que estética e estilisticamente acabava se diferenciando e nem sempre assumia conteúdos tão diretos e contextualizados como o punk / hc brasileiro.
Particularmente, me afastei (e continuo me afastando) do punk toda vez que sentia que aquilo não era um espaço pra mim e que as idéias / atitudes não me representavam ou até me agrediam. Me afastei pela ausêcia de mulheres como referências, porque eu queria tocar punk rock e ser parte daquilo, mas meus amigos que tinham banda acho que pensavam que eu tinha vocação pra tiete, ou seguradora de jaqueta, por assim, dizer, apesar de ser considera inteligente e ter minha opinião respeitada e considerada quando o assunto era (ou é) política ou filosofia. Isso apesar de nenhum deles saber tocar nada na época muito bem e eu demonstrar o mesmo potencial de aprendizado. Não conheço uma mina que tenha contato com esse circuito que discorde disso e, no entanto, nunca consegui me aliar a elas pra fazer um esforço coletivo de mudança nesse sentido, rs. Mas pessoalmente, nas relações mais imediatas sempre foi inevitável meu posicionamento.
"Muleque machista e misógino
Que leva a namorada pra segurar teu casaco
A cena está cheia de vocês
Não preciso de mais um otário falando o que eu posso ou não fazer
Nem das mina que reproduz a passividade que nos ensinaram a ter
Quando uma mulher avança, nenhum homem retrocede!"
(Banda Anti-corpos, Apoia mútua)
Também não me sentia contemplada, no final das contas, por ser mulher e ter um relacionamento com uma companheira, já em 2004, com letras também de teor machista e homofóbico, como é o caso do juventude maldita (De arma na mão você é macho /
Mas acho que cê é broxa, um puta cabaço / Bate uma pro sargento,sua vida é um saco /
passa o dia inteiro dando geral em macho), que era uma banda com certa representatividade no meu circuito. Enfim, aquela coisa de se sentir mais ou menos representado num movimento que é amplo e incorpora setores diversos da sociedade.
De qualquer forma, acho que o ponto aqui é que qualquer um que preze a liberdade, a igualdade e a fraternidade entende que há expressões violentas e que escolhem dispensar a autocrítica e tomar atitudes opressoras, ou revanchistas, ou contraditórias e até mesmo pouco producentes no ponto de vista da aplicação prática dos seus ideais. O punk que me representa é libertário, e não opressor. É inteligente e respeitoso com a diversidade e procura colocar seus ideais em prática nas ações do dia-a-dia, fazendo resistência, mas também dialogando. O punk que me representa procura abraçar e não excluir; procura empoderar ao invés de "colocar no seu lugar"; procura mudar opiniões, mudar a sociedade e as pessoas, inclusive a si próprio. Pode até pecar pelo teor utópico e idealista, mas age no sentido da liberdade, da igualdade, da fraternidade e da justiça. Acho que o Flicts me contempla nessa linha e sigo com a banda na minha vida, rs. Aliás, adoro exibir meus anarcocards pras pessoas.
Abraço!
Estive presente no Alves ontem, no show de vocês. Não foi o primeiro, nem o segundo, nem o terceiro show que eu presencio... na verdade eu acompanho a banda há mais de dez anos. E eu estudei no Alves, de 2005-2007, no período em que o Johnny estudou lá, com a turma dos "rosqueiros", como pejorativamente éramos chamados (alguns mais pro punk, outros mais pro metal, mas éramos uma turma, as pessoas tinham banda e foi uma fase em que rolavam muitos festivais em escola também). Essa turma virou grêmio e por 2 anos se dedicou àquela escola defendendo o que a gente acreditava à respeito de uma educação pública de qualidade, fazendo manifestação sim e com nossos ideais políticos já muito aflorados, apesar da juventude. A presença do Johnny era notável no colégio e muitas vezes as ações eram chamadas por ele. Então foi muito simbólico e importante pessoalmente estar naquele lugar, naquela situação.
Não vou parabenizar, pq acho que nem é o caso quando se trata apenas do que considero razoável, mas vou dizer que "gostei de ver" a postura mediante a contestação que foi feita no facebook pela menina Gabriela Macedo, especialmente em comparação ao péssimo discurso que foi feito pelo Ariel no evento. O debate é essencial e autocrítica também, mas falta isso pra quem está preocupado de dar carteirada e apavoro em menina, né? Particularmente tenho uma grande afinidade com o punk rock e desde meus 13 anos já estava colando pra ver show do Cólera, e meu primeiro contato com vocês foi justamente por meio do álbum "Canções de batalha", mais ou menos nessa época também. Pois bem, eu me lembro do contato com a cena straight-edge também nessa época e o quanto que a tal da cena punk apresentava linhas ideológicas diferentes, mas em comum a todas elas uma pegada de machismo pesada no Brasil. Se a sociedade é machista, pq esperar q seria diferente na cena, né? Aquela coisa de não ter nada mais parecido com um machista de direita do que um machista de esquerda. Mas enfim, como muitas meninas, tendi pro lado das riot grrrl, que estética e estilisticamente acabava se diferenciando e nem sempre assumia conteúdos tão diretos e contextualizados como o punk / hc brasileiro.
Particularmente, me afastei (e continuo me afastando) do punk toda vez que sentia que aquilo não era um espaço pra mim e que as idéias / atitudes não me representavam ou até me agrediam. Me afastei pela ausêcia de mulheres como referências, porque eu queria tocar punk rock e ser parte daquilo, mas meus amigos que tinham banda acho que pensavam que eu tinha vocação pra tiete, ou seguradora de jaqueta, por assim, dizer, apesar de ser considera inteligente e ter minha opinião respeitada e considerada quando o assunto era (ou é) política ou filosofia. Isso apesar de nenhum deles saber tocar nada na época muito bem e eu demonstrar o mesmo potencial de aprendizado. Não conheço uma mina que tenha contato com esse circuito que discorde disso e, no entanto, nunca consegui me aliar a elas pra fazer um esforço coletivo de mudança nesse sentido, rs. Mas pessoalmente, nas relações mais imediatas sempre foi inevitável meu posicionamento.
"Muleque machista e misógino
Que leva a namorada pra segurar teu casaco
A cena está cheia de vocês
Não preciso de mais um otário falando o que eu posso ou não fazer
Nem das mina que reproduz a passividade que nos ensinaram a ter
Quando uma mulher avança, nenhum homem retrocede!"
(Banda Anti-corpos, Apoia mútua)
Também não me sentia contemplada, no final das contas, por ser mulher e ter um relacionamento com uma companheira, já em 2004, com letras também de teor machista e homofóbico, como é o caso do juventude maldita (De arma na mão você é macho /
Mas acho que cê é broxa, um puta cabaço / Bate uma pro sargento,sua vida é um saco /
passa o dia inteiro dando geral em macho), que era uma banda com certa representatividade no meu circuito. Enfim, aquela coisa de se sentir mais ou menos representado num movimento que é amplo e incorpora setores diversos da sociedade.
De qualquer forma, acho que o ponto aqui é que qualquer um que preze a liberdade, a igualdade e a fraternidade entende que há expressões violentas e que escolhem dispensar a autocrítica e tomar atitudes opressoras, ou revanchistas, ou contraditórias e até mesmo pouco producentes no ponto de vista da aplicação prática dos seus ideais. O punk que me representa é libertário, e não opressor. É inteligente e respeitoso com a diversidade e procura colocar seus ideais em prática nas ações do dia-a-dia, fazendo resistência, mas também dialogando. O punk que me representa procura abraçar e não excluir; procura empoderar ao invés de "colocar no seu lugar"; procura mudar opiniões, mudar a sociedade e as pessoas, inclusive a si próprio. Pode até pecar pelo teor utópico e idealista, mas age no sentido da liberdade, da igualdade, da fraternidade e da justiça. Acho que o Flicts me contempla nessa linha e sigo com a banda na minha vida, rs. Aliás, adoro exibir meus anarcocards pras pessoas.
Abraço!
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Sobre dramas, cenas e contratempos
"O tango é um pensamento triste que se pode dançar."
Discépolo - poeta, compositor, dramaturgo e ator argentino.
Discépolo - poeta, compositor, dramaturgo e ator argentino.
Ou escrever.
Eles estão sempre por aí, os pensamentos tristes. É a descrença na doçura unida ao medo da culpa ou da compensação como motivações, serenamente levantadas e analisadas pela perspicácia da mente (mente?).
É a falta de eco, a absorção dos sons sem assimilação e sem retorno, a topada das expectativas, a exposição não degustada, o medo do quase, que escorre e desliza entre tudo aquilo que passou e vai passar. É bonito, cardinal e justo. É o esperado não esperado, que quando foi, já não quis. Porque ninguém tá quando quer. É o inevitável assombrando e a luta do controle e do resguardo. Presta-se atenção às coisas importantes.
Apenas o perceptível e o sensível dançando o tango, à meia luz.
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