terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O que eu queria

Eu queria que você me convencesse. Queria não estar convencida. Queria uma fantasia pra eu me perder, pra poder mergulhar, pra admirar. Pra me fantasiar também, talvez. Aquela fé de que as coisas realmente importam. Engraçado como a fé opera das duas maneiras, né? É a desculpa para uma noção de ausência de responsabilidade ou de poder individual travestida de uma ética determinante.

São os meus votos mais sinceros

para 2017.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Aquele barco que se perdeu

Está a navegar.

Em mar de águas calmas, o movimento é lento e, às vezes, um tanto arrastado.
O norte é inevitável. 
Porque navegar é preciso, não é mesmo? 
Não vejo a hora de chegar. Tento disciplinar a ansiedade e aproveitar essa viagem.


"Se já conto as horas, os minutos e segundos do meu dia
A vida ainda é desmedida
por mais que ponha em conta os atrasos
e adiantos das partidas

Me transborda a despedida

O cais não é seguro e jamais será
O futuro não consiste em paz

Mas... ainda assim percorro milhas, milhas, milhas
Pelo mundo vou buscando

Uma aventura em mim"




Teko Porã - Prólogo do marinheiro

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Apego

Das piores manias, está inventar e se convencer das coisas que não existem. Aquele sonho alertou. Hoje me dói qualquer ensaio da sua partida. E a vida louca, breve, sempre arranja um jeito de me prender. Toda vez que eu tento construir a liberdade, me percebo numa charada prisional.

Agh.

E eu não escrevo mais, não penso mais, não faço contas. Aposto na ilusão do agora, para esquecer a decepção de ontem e me entorpecer com uma idéia de amanhã.

Tudo passa.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Das negações, afirmações e possibilidades

Parte I - As garrafas

Ok, vamos falar sobre as garrafas porque tocaram no assunto da obsessão essa semana e eu sinto necessidade de discorrer sobre elas. Penso que elas são a evidência da sombra do vício, do medo da repetição. Remetem ao orgulho e à vergonha. Elas seduzem ou decoram. É difícil conviver com as garrafas porque elas insistem sobre a questão da utilidade e do equilíbrio. Sabe aquela expressão "pisando em ovos"? Vou ressignificar para algo como a convivência com as garrafas.

Parte II - Do que eu percebi sobre o seu incômodo e das lições que posso tirar

Disse para ela sobre seu olhar clínico e fino porque aprecio e considero o diagnóstico. Eu sei que você é meio arrogante e é parte do seu charme. Talvez um dos elementos de identificação. Mas você morre de medo de ser julgado, esse é seu incômodo. Você já tentou julgar de forma... como dizer? Talvez a palavra seja apelativa. Não é exatamente um ponto sobre o qual pretendo te convencer. Mas há razão: eu faço vista grossa e você também justifica sua comodidade. Talk is cheap, my darling. Vale a retomada desse discurso.

Parte III - O texto bonito sobre se permitir


"(...) Permita-se. Porque eu não quero que você tenha essa pressa ao ponto de ajudar com as próprias mãos. Eu quero que você sinta esse prazer que chega aos poucos. E mata tudo que há em volta. E explode os relógios. E chega aos poucos ainda que você ainda não saiba nem quem é pouco e nem quem é lento. Porque você morre. Se você prefere a vida quando se morre um pouco por alguém. Permita-se.

Eu não faço a menor idéia de como esperar você me querer. porque se eu esperar, talvez eu não te queira mais.
Eu não queria ir embora e esperar o dia seguinte. porque cansei dessa gente que manda ter mais calma. E me diz que sempre tem outro dia. E me diz que eu não posso esperar nada de ninguém. E me diz que eu preciso de uma camisa de força. Se você puder sofrer comigo a loucura que é estar vivo. se você puder passar a noite em claro comigo de tanta vontade de viver esse dia sem esperar o outro, se você puder esquecer a camisa de força e me enroscar no seu corpo para que duas forças loucas tragam algum equilíbrio. Se você puder ser alguém de quem se espera algo, afinal, é uma grande mentira viver sozinho, permita-se. Eu só queria alguém pra vencer comigo esses dias terrivelmente chatos."

Não acho que sou uma pessoa de impulsos desenfreados. O meu gostar é pensado, analisado e precisa fazer algum sentido. Tenho me permitido sim e tenho apreciado os dias terrivelmente chatos em que a sua cia me proporciona prazer e conforto. Eu gosto da sua calma, mas, no geral, não gosto de calma. Gosto da urgência (já apontada) de quem vive como se soubesse o tempo que tem para viver. E admiro a virtude de quem sabe escolher e priorizar. A vida é um paradoxo de muitas ou nenhuma possibilidade, planos e desejos.

Vou repetir: é preciso abrir caminhos. Não lhe disse, mas está sugestionado: aquele caminho ainda estou tentando abrir para mim. De repente cruza e acompanha o seu.

Eu não faço a menor idéia de como 
esperar. 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Bom conselho


Queria o silêncio.

Esse mesmo.

Estou refugiada dos questionamentos - sejam eles sinceros ou não.

Tenho saudade da fome de mundo, eu acho. O que me incendiava antes hoje já não me incendeia mais. E eu sinto falta do fogo. Mas não dentro dessa alegoria pobre e vulgar... sinto saudade daquela lareira na sala. Algo assim. Acho difícil de entender.

Não é justo o que eu vou dizer, mas me sinto vendendo meu tempo. E não tenho comprado nada há algum tempo. O que isso quer dizer, né? No que vale a pena investir, se não na idéia de se comprar mais tempo?


Desejo remoto. É sempre aquele paradoxo.



Venha se queimar.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Sonhos & vibes erradas



Acendi todas as velas. Pensei no que eu quero. Passei e repassei a lista.

Olho para trás, pra frente, pro lado, pra cima, pra baixo. Pra dentro e pra fora. Os sonhos tortos nunca me deixam, ainda que se espacem. É o canto escuro, é o acúmulo do pó. A constante inevitável e remota. O velho sentimento de que se está tudo dando certo, algo de muito errado há por vir. Aquilo que você não percebeu. Porque a felicidade é bolha de sabão; aprendemos. A paz de espírito é um sentimento de equilíbrio delicado. Quanto custa?

A palavrinha bonita é "efemeridade". Como a vida. Demora e vai rápido. 
Me deixa estar que eu te deixo passar.
Oh, those painkillers...
Just swallow.