Já estamos parados?
Me preocupo honestamente em ainda querer a mesma coisa. Me preocupo com os padrões de repetição que eu não vejo ou deliberadamente ignoro.
No meu sonho, fui tratada como privilegiada, com chaves que abrem não sei quais portas e tinha medo de invadir propriedade alheia. Ou como junkie que já estava a fazer isso, mas ainda assim me davam atenção cautelosa pela bondade de ajudar ou pela preocupação e vontade de descobrir minhas intenções. Acho que apesar da atitude suspeita, eu não parecia oferecer real perigo imediato. Mas, no decorrer da coisa toda, pensei: preciso de ajuda ou estou atrás de algo? Apenas erro de linguagem: as duas coisas não se excluem.
Era uma casa linda, depois um prédio confuso com costume de ser invadido, algo como história antiga da família ou rolê de amigos.
Mas a vista, meu bem...todos queriam aquela vista. Pena que eu estava ocupada demais correndo para cima e para baixo, disfarçando meu pertencimento ou não pertencimento.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
domingo, 25 de dezembro de 2016
O troféu
Uma belíssima exibição da sua conquista. Você trouxe ele para festa? O que você pretende fazer com ele, hein? Deixar na estante? Ele junta pó, você sabe. Você tem planos de limpá-lo, de vendê-lo?
Nada disso importa. Sempre que você ou alguém quiser saber sobre sua conquista, está ali, à disposição, para lembrar do campeão que é você.
Nada disso importa. Sempre que você ou alguém quiser saber sobre sua conquista, está ali, à disposição, para lembrar do campeão que é você.
E do quanto isso tudo é objetificação e falta de animosidade. Mas não vamos falar sobre isso...
Os troféus inspiram, motivam para novas conquistas. Essa há de ser a função deles.
Os troféus inspiram, motivam para novas conquistas. Essa há de ser a função deles.
Ai de mim que sou romântica.
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
O que eu queria
Eu queria que você me convencesse. Queria não estar convencida. Queria uma fantasia pra eu me perder, pra poder mergulhar, pra admirar. Pra me fantasiar também, talvez. Aquela fé de que as coisas realmente importam. Engraçado como a fé opera das duas maneiras, né? É a desculpa para uma noção de ausência de responsabilidade ou de poder individual travestida de uma ética determinante.
São os meus votos mais sinceros
para 2017.
São os meus votos mais sinceros
para 2017.
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
Aquele barco que se perdeu
Está a navegar.
Em mar de águas calmas, o movimento é lento e, às vezes, um tanto arrastado.
O norte é inevitável. Porque navegar é preciso, não é mesmo?
Não vejo a hora de chegar. Tento disciplinar a ansiedade e aproveitar essa viagem.
Me transborda a despedida
Mas... ainda assim percorro milhas, milhas, milhas
Teko Porã - Prólogo do marinheiro
Em mar de águas calmas, o movimento é lento e, às vezes, um tanto arrastado.
O norte é inevitável. Porque navegar é preciso, não é mesmo?
Não vejo a hora de chegar. Tento disciplinar a ansiedade e aproveitar essa viagem.
"Se já conto as horas, os minutos e segundos do meu dia
A vida ainda é desmedida
por mais que ponha em conta os atrasos
e adiantos das partidas
Me transborda a despedida
O cais não é seguro e jamais será
O futuro não consiste em paz
Mas... ainda assim percorro milhas, milhas, milhas
Pelo mundo vou buscando
Uma aventura em mim"
Teko Porã - Prólogo do marinheiro
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
Apego
Das piores manias, está inventar e se convencer das coisas que não existem. Aquele sonho alertou. Hoje me dói qualquer ensaio da sua partida. E a vida louca, breve, sempre arranja um jeito de me prender. Toda vez que eu tento construir a liberdade, me percebo numa charada prisional.
Agh.
E eu não escrevo mais, não penso mais, não faço contas. Aposto na ilusão do agora, para esquecer a decepção de ontem e me entorpecer com uma idéia de amanhã.
Tudo passa.
Agh.
E eu não escrevo mais, não penso mais, não faço contas. Aposto na ilusão do agora, para esquecer a decepção de ontem e me entorpecer com uma idéia de amanhã.
Tudo passa.
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
terça-feira, 6 de setembro de 2016
Das negações, afirmações e possibilidades
Parte I - As garrafas
Ok, vamos falar sobre as garrafas porque tocaram no assunto da obsessão essa semana e eu sinto necessidade de discorrer sobre elas. Penso que elas são a evidência da sombra do vício, do medo da repetição. Remetem ao orgulho e à vergonha. Elas seduzem ou decoram. É difícil conviver com as garrafas porque elas insistem sobre a questão da utilidade e do equilíbrio. Sabe aquela expressão "pisando em ovos"? Vou ressignificar para algo como a convivência com as garrafas.
Parte II - Do que eu percebi sobre o seu incômodo e das lições que posso tirar
Disse para ela sobre seu olhar clínico e fino porque aprecio e considero o diagnóstico. Eu sei que você é meio arrogante e é parte do seu charme. Talvez um dos elementos de identificação. Mas você morre de medo de ser julgado, esse é seu incômodo. Você já tentou julgar de forma... como dizer? Talvez a palavra seja apelativa. Não é exatamente um ponto sobre o qual pretendo te convencer. Mas há razão: eu faço vista grossa e você também justifica sua comodidade. Talk is cheap, my darling. Vale a retomada desse discurso.
Parte III - O texto bonito sobre se permitir
Não acho que sou uma pessoa de impulsos desenfreados. O meu gostar é pensado, analisado e precisa fazer algum sentido. Tenho me permitido sim e tenho apreciado os dias terrivelmente chatos em que a sua cia me proporciona prazer e conforto. Eu gosto da sua calma, mas, no geral, não gosto de calma. Gosto da urgência (já apontada) de quem vive como se soubesse o tempo que tem para viver. E admiro a virtude de quem sabe escolher e priorizar. A vida é um paradoxo de muitas ou nenhuma possibilidade, planos e desejos.
Vou repetir: é preciso abrir caminhos. Não lhe disse, mas está sugestionado: aquele caminho ainda estou tentando abrir para mim. De repente cruza e acompanha o seu.
Ok, vamos falar sobre as garrafas porque tocaram no assunto da obsessão essa semana e eu sinto necessidade de discorrer sobre elas. Penso que elas são a evidência da sombra do vício, do medo da repetição. Remetem ao orgulho e à vergonha. Elas seduzem ou decoram. É difícil conviver com as garrafas porque elas insistem sobre a questão da utilidade e do equilíbrio. Sabe aquela expressão "pisando em ovos"? Vou ressignificar para algo como a convivência com as garrafas.
Parte II - Do que eu percebi sobre o seu incômodo e das lições que posso tirar
Disse para ela sobre seu olhar clínico e fino porque aprecio e considero o diagnóstico. Eu sei que você é meio arrogante e é parte do seu charme. Talvez um dos elementos de identificação. Mas você morre de medo de ser julgado, esse é seu incômodo. Você já tentou julgar de forma... como dizer? Talvez a palavra seja apelativa. Não é exatamente um ponto sobre o qual pretendo te convencer. Mas há razão: eu faço vista grossa e você também justifica sua comodidade. Talk is cheap, my darling. Vale a retomada desse discurso.
Parte III - O texto bonito sobre se permitir
"(...) Permita-se. Porque eu não quero que você tenha essa pressa ao ponto de ajudar com as próprias mãos. Eu quero que você sinta esse prazer que chega aos poucos. E mata tudo que há em volta. E explode os relógios. E chega aos poucos ainda que você ainda não saiba nem quem é pouco e nem quem é lento. Porque você morre. Se você prefere a vida quando se morre um pouco por alguém. Permita-se.
Eu não faço a menor idéia de como esperar você me querer. porque se eu esperar, talvez eu não te queira mais.
Eu não queria ir embora e esperar o dia seguinte. porque cansei dessa gente que manda ter mais calma. E me diz que sempre tem outro dia. E me diz que eu não posso esperar nada de ninguém. E me diz que eu preciso de uma camisa de força. Se você puder sofrer comigo a loucura que é estar vivo. se você puder passar a noite em claro comigo de tanta vontade de viver esse dia sem esperar o outro, se você puder esquecer a camisa de força e me enroscar no seu corpo para que duas forças loucas tragam algum equilíbrio. Se você puder ser alguém de quem se espera algo, afinal, é uma grande mentira viver sozinho, permita-se. Eu só queria alguém pra vencer comigo esses dias terrivelmente chatos."
Não acho que sou uma pessoa de impulsos desenfreados. O meu gostar é pensado, analisado e precisa fazer algum sentido. Tenho me permitido sim e tenho apreciado os dias terrivelmente chatos em que a sua cia me proporciona prazer e conforto. Eu gosto da sua calma, mas, no geral, não gosto de calma. Gosto da urgência (já apontada) de quem vive como se soubesse o tempo que tem para viver. E admiro a virtude de quem sabe escolher e priorizar. A vida é um paradoxo de muitas ou nenhuma possibilidade, planos e desejos.
Vou repetir: é preciso abrir caminhos. Não lhe disse, mas está sugestionado: aquele caminho ainda estou tentando abrir para mim. De repente cruza e acompanha o seu.
Eu não faço a menor idéia de como
esperar.
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