domingo, 16 de abril de 2017

O prazo é curto,

a vida é breve e a solidez é só um estado físico da matéria. Que tem a possibilidade de se transformar. Parece que é apenas uma questão de distância das moléculas, entende? É um pouco assustador, mas dá pra ser otimista também.

Me disseram que eu tenho problemas de comunicação. Deve ser verdade. Não sinto a menor vontade de investir nas formas sociais da interação moderna. Me dá preguiça e tristeza. Eu quero ver o céu. Quero correr mundo. Mas não quero correr perigo. O perigo está sempre por aí. Quero aproveitar a vida de quem me deu e me dá amor. Porque ela é rara mesmo.

É tudo muito raro e muito banal.

  
Eu me sento, eu fumo, eu como, eu não aguento
Você está tão curtida
Eu quero tocar fogo neste apartamento
Você não acredita 

quinta-feira, 2 de março de 2017

Mais um cigarro

Fico pensando quantos cigarros são preciso para a reflexão e ação precisa.

A insatisfação é essa coisa que nos move para lá e para cá ou nos paralisa, nos deixa sem vontade e acaba vazando pelos vícios, pelos excessos.

A gente transborda. Normalmente não é de alegria. Mas às vezes a gente consegue aquela rara sensação de prazer do cigarro acendido na hora certa com o tempo do relaxamento perfeito, da refeição completa que não deixa a imaginação rodando na próxima receita ou daquela trepada calma e gostosa que consegue te colocar em transe, presa no presente.


Tristeza não tem fim. Felicidade sim.


quarta-feira, 1 de março de 2017

Feels like I only go backwards, baby...

Ninguém mais suporta essa sua obsessão, menina. Inclusive você. Não há quem aguente esse toque na(s) mesma(s) tecla(s).
Melhor o silêncio à verborragia, aprenda de uma vez.

E quais são as novas, afinal? 
O futuro, ele é tão promissor.



And I don't believe in time.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Can you picture yourself?

Não.
Falta poesia.
Falta vontade de exposição.
Falta.

Nem o líquido azedo do arrependimento dos gozos vazios, nem a paralisia que quer se apegar e congelar o benefício do prazer mais puro. O que há de puro, afinal, que não é vazio? E o vazio, entanto, implica ausência... do que houve ou não houve.

Minha cabeça dói. E meu corpo tem me pedido coisas que não tenho como dar.
Falta.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Me pergunto onde vamos parar

Já estamos parados?

Me preocupo honestamente em ainda querer a mesma coisa. Me preocupo com os padrões de repetição que eu não vejo ou deliberadamente ignoro.

No meu sonho, fui tratada como privilegiada, com chaves que abrem não sei quais portas e tinha medo de invadir propriedade alheia. Ou como junkie que já estava a fazer isso, mas ainda assim me davam atenção cautelosa pela bondade de ajudar ou pela preocupação e vontade de descobrir minhas intenções. Acho que apesar da atitude suspeita, eu não parecia oferecer real perigo imediato. Mas, no decorrer da coisa toda, pensei: preciso de ajuda ou estou atrás de algo? Apenas erro de linguagem: as duas coisas não se excluem.

Era uma casa linda, depois um prédio confuso com costume de ser invadido, algo como história antiga da família ou rolê de amigos.

Mas a vista, meu bem...todos queriam aquela vista. Pena que eu estava ocupada demais correndo para cima e para baixo, disfarçando meu pertencimento ou não pertencimento.

domingo, 25 de dezembro de 2016

O troféu

Uma belíssima exibição da sua conquista. Você trouxe ele para festa? O que você pretende fazer com ele, hein? Deixar na estante? Ele junta pó, você sabe. Você tem planos de limpá-lo, de vendê-lo?

Nada disso importa. Sempre que você ou alguém quiser saber sobre sua conquista, está ali, à disposição, para lembrar do campeão que é você. 


E do quanto isso tudo é objetificação e falta de animosidade. Mas não vamos falar sobre isso...

Os troféus inspiram, motivam para novas conquistas. Essa há de ser a função deles.


Ai de mim que sou romântica.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O que eu queria

Eu queria que você me convencesse. Queria não estar convencida. Queria uma fantasia pra eu me perder, pra poder mergulhar, pra admirar. Pra me fantasiar também, talvez. Aquela fé de que as coisas realmente importam. Engraçado como a fé opera das duas maneiras, né? É a desculpa para uma noção de ausência de responsabilidade ou de poder individual travestida de uma ética determinante.

São os meus votos mais sinceros

para 2017.