quinta-feira, 18 de maio de 2017

Reflexões da madrugada sobre o paradoxo imagem-tempo

Eu ia começar a divagar sobre o relógio, sobre o quanto que ele é precisamente irritante e aprisionante, mesmo que fique no canto da sala... mas aí fui olhar por aqui e percebi que ando assim, meio redundante - como não podemos deixar de ser nos nossos círculos viciosos.

Falei pra ela, uma vez, assim, como quem diz procurando uma espécie de frase de biscoito da sorte para repetir que surtisse algum efeito positivo e momentâneo, ainda que raso: "está terminantemente proibido não fazer algo a respeito da sua própria (in)felicidade".

É.

Também disse para ele que não era seu papel a motivação. E lembrei que falei para d. Encrenca duras palavras quando ela falou sobre sua dificuldade de se sentir motivada.

Eu sinto falta da liberdade. Quase sempre.

Queria me livrar dos meus vícios, mas não sou melhor do que isso. Apesar de querer ser melhor, não posso ser. É duro crescer e conhecer seus limites. Mas, de novo, d. Encrenca escreveu na fucking lousa a lição: "As pessoas não são o que esperamos delas. (Ainda bem!) Elas são só o que elas podem ser.".

Eu sinto falta e tenho medo da morte.

O relógio é,
sempre,
precisamente
irritante.

Temos e não temos tempo. O que vamos fazer a respeito disso tudo?

terça-feira, 18 de abril de 2017

Cheap talk

Para quem gosta de um bom e velho enigma.

Vaidade, rancor, mania de controle e paranóia. São essas as quatro chaves que trancam as suas possibilidades. Existe a cela, existe o cubo e um jogo. O que a cela e o cubo têm em comum são as duas chaves que faltam. Entenda: são cinco faces perdidas para uma que vira. Como na sinuca: confiança, sorte e azar. São combinados. E também são acasos. Claro que a gente sempre pode contar com os artifícios... o mundo, sem a arte, fica muito sem graça.


Són las cuatro y treinta y ocho minutos y estamos donde tenemos que estar.

domingo, 16 de abril de 2017

O prazo é curto,

a vida é breve e a solidez é só um estado físico da matéria. Que tem a possibilidade de se transformar. Parece que é apenas uma questão de distância das moléculas, entende? É um pouco assustador, mas dá pra ser otimista também.

Me disseram que eu tenho problemas de comunicação. Deve ser verdade. Não sinto a menor vontade de investir nas formas sociais da interação moderna. Me dá preguiça e tristeza. Eu quero ver o céu. Quero correr mundo. Mas não quero correr perigo. O perigo está sempre por aí. Quero aproveitar a vida de quem me deu e me dá amor. Porque ela é rara mesmo.

É tudo muito raro e muito banal.

  
Eu me sento, eu fumo, eu como, eu não aguento
Você está tão curtida
Eu quero tocar fogo neste apartamento
Você não acredita 

quinta-feira, 2 de março de 2017

Mais um cigarro

Fico pensando quantos cigarros são preciso para a reflexão e ação precisa.

A insatisfação é essa coisa que nos move para lá e para cá ou nos paralisa, nos deixa sem vontade e acaba vazando pelos vícios, pelos excessos.

A gente transborda. Normalmente não é de alegria. Mas às vezes a gente consegue aquela rara sensação de prazer do cigarro acendido na hora certa com o tempo do relaxamento perfeito, da refeição completa que não deixa a imaginação rodando na próxima receita ou daquela trepada calma e gostosa que consegue te colocar em transe, presa no presente.


Tristeza não tem fim. Felicidade sim.


quarta-feira, 1 de março de 2017

Feels like I only go backwards, baby...

Ninguém mais suporta essa sua obsessão, menina. Inclusive você. Não há quem aguente esse toque na(s) mesma(s) tecla(s).
Melhor o silêncio à verborragia, aprenda de uma vez.

E quais são as novas, afinal? 
O futuro, ele é tão promissor.



And I don't believe in time.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Can you picture yourself?

Não.
Falta poesia.
Falta vontade de exposição.
Falta.

Nem o líquido azedo do arrependimento dos gozos vazios, nem a paralisia que quer se apegar e congelar o benefício do prazer mais puro. O que há de puro, afinal, que não é vazio? E o vazio, entanto, implica ausência... do que houve ou não houve.

Minha cabeça dói. E meu corpo tem me pedido coisas que não tenho como dar.
Falta.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Me pergunto onde vamos parar

Já estamos parados?

Me preocupo honestamente em ainda querer a mesma coisa. Me preocupo com os padrões de repetição que eu não vejo ou deliberadamente ignoro.

No meu sonho, fui tratada como privilegiada, com chaves que abrem não sei quais portas e tinha medo de invadir propriedade alheia. Ou como junkie que já estava a fazer isso, mas ainda assim me davam atenção cautelosa pela bondade de ajudar ou pela preocupação e vontade de descobrir minhas intenções. Acho que apesar da atitude suspeita, eu não parecia oferecer real perigo imediato. Mas, no decorrer da coisa toda, pensei: preciso de ajuda ou estou atrás de algo? Apenas erro de linguagem: as duas coisas não se excluem.

Era uma casa linda, depois um prédio confuso com costume de ser invadido, algo como história antiga da família ou rolê de amigos.

Mas a vista, meu bem...todos queriam aquela vista. Pena que eu estava ocupada demais correndo para cima e para baixo, disfarçando meu pertencimento ou não pertencimento.