segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Assim como não vai, não vem

Sonhei com ele - e com aquela sensação de que a minha vida poderia ser completamente outra. Se eu fosse capaz de ser ou de estar de outra forma qualquer (e parte de mim acredita que sou). Capaz de sentir e degustar outra coisa qualquer. E dói o que a gente não quer deixar, por motivos quaisquer. 

E naquele revirar de memórias eu me pergunto quantos não's ainda me cabem. Se as mudanças não ocorrem por teimosia. As minhas teimosias estão por todos os lados. Remota ou histericamente. É um violão sem traste jogado num canto da sala ao qual jamais me dediquei ou pretendo me dedicar. É coisa pouca e é coisa muita.

Penso que há de acontecer. Tudo sempre pareceu conspirar à meu favor. E me pego nas perguntas sobre os meus erros e os meus confortos, repetidamente. E me pego nas perguntas sobre as minhas "esperanças" todas, impaciente e ansiosa, com os dentes amarelados do tempo que se compra com um tabaco ou mais mil goles amargos de café. Ainda que conservada pelo álcool e pelas pequenas doçuras.

E o tempo não deixa de passar, as pessoas e as coisas não deixam de existir.
Até que deixam.

terça-feira, 31 de julho de 2018

Crônicas da neurose


Sobre assumir a responsabilidade

Lembrança n1


Me lembro de ter um desejo muito forte de protegê-la.Ela deixava de ir às sessões e passava as tardes comigo, muitas vezes quieta, apenas deitada ou se ocupando de observar árvores, nuvens e coisas assim. Passei a levá-la até lá, não me lembro se entrando logo de cara, mas cheguei a entrar na sala de espera. Salas de espera, acho que ela se mudou algumas vezes, se não me falha a memória. 

Eu me preocupava genuinamente com a possibilidade da tal profissional estar 'fodendo com a mente dela' com alguma merda homofóbica. Ela era menina e a mãe a pôs na terapia simplesmente assumindo que 'não sabia lidar'. Queria marcar território, dizer que tinha alguém ali para defendê-la, que se importava se aquilo de fato faria bem a ela e estava disposta a assumir responsabilidade. Estava acostumada a assumir responsabilidade e talvez não me desse conta de que me enxergavam apenas como a menina que eu era. Ainda acho que foi e que é importante.

Lembrança n2

Meus daddy issues. Ficar esperando o dia todo, na data combinada. As reclamações dele quando eu queria 'trocar de final de semana' para fazer alguma outra coisa. Acho que ele começou a tentar me dar o troco muito cedo. Doía nele e ele queria que doesse em mim. Acho que sempre foi assim. Era um combinado de merda no ventilador diretamente apontado para mim. Lembro da tia Neide falando sobre ele ser assim mesmo, que eu não deveria me importar. Por muito tempo eu odiei me importar - e sinto os reflexos do 'nem todo homem' até hoje.

Lembrança n3

Disse para ele sobre as minhas compulsões, como quem esperava que ele entendesse. Disse muitas coisas, como quem esperava que ele entendesse. Eu não sei o que há em você que não veio de mim. Tem muita projeção nessa energia maluca. Talvez eu esteja certa sobre as similaridades e acho só triste. Pra você e para mim também. Dói em mim a sua insuficiência também e a minha indisponibilidade em níveis diferentes, ainda que já tenhamos passado desse ponto.

Lembrança n4

Bigodes estúpidos e nomes latinos me lembrando que sou obsessiva.

Lembrança n5

'Ansiedade e procrastinação, sei', ele disse. Não me agradeça pelo interesse em ajudar, desconfie das minhas boas intenções. Tome ciência da conseqüência das suas ações, no fundo você sabe melhor. Eu espero que você saiba melhor. Eu espero que eu saiba melhor também.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Onde acaba a dor e começa o amor?

Tudo tem seu tempo, minha mãe sempre diz. Não que eu creia em palavras de ordem, acho que a vida é caos e harmonia, naturalmente. Mas a vida se prova indubitavelmente finita - é refém do tempo - e, muitas vezes, se mostra indomável, violenta e feroz. Estamos sensíveis a toda intensidade que nela possa haver. Que sejamos sábios e domemos o que estiver ao nosso alcance. Amor e dor, simultaneamente.


Existe amor depois do amor
Resiste o amor depois do horror
Até o amor ser bom ele é tão ruim
Tão ruim

Teu corpo aqui do meu lado
Maior que o meu cobertor
Não é um monstro que eu acho

É salvador
É meu salvador
Salvador
É meu salvador

Letrux - Amoruim

quarta-feira, 18 de julho de 2018

As partes

Disse para ele que considerava uma fraqueza ter sentimentos (que não o desprezo ou a raiva) por homens quaisqueres. Tinha raiva de identificar sentimentos em mim também. Disse para ouvir sem se ofender pessoalmente. Sei que é sexista. Disse que deveria ter permanecido sapatão. "Sapatão é resistência antipatriarcal", vem a voz dela na minha cabeça, recitando.

E todas aquelas bobagens no covil terapêutico me fizeram pensar sobre o ressentimento de ter uma vida arruinada ou conseqüências ruins por conta de um homem babaca e sua própria bagagem de merda emocional repassada adiante. Difícil medir o exagero, quando se trata de sentimentos. Mas mais difícil foi matar a imagem imaculada da mulher - eu reconhecia a santa nos outros, mas não em mim. Eu ressentia os efeitos da mulher ressentida também. Ai, as dívidas históricas.

Onde acaba a dor e começa o amor?

Falei para eles da diferença entre ser assertiva e ser violenta, como se estivesse educando sobre o final do ciclo da violência. É difícil. Quero acreditar nessa possibilidade. Preciso acreditar nessa possibilidade. 

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Orgulho e vingança - que ela chama de auto-respeito

Sou uma péssima atriz. Tinha falado para ele sobre aquela jaqueta vermelha que via constantemente na volta do trabalho pra casa. Ele me disse para comprar. Serviu perfeitamente àquele dia. A jaqueta também. Arrogante, com o forro animalesco. "Cabeça erguida", a voz dela me dizia. Irritantemente ela chorava e estava sem postura. Ela nunca teve postura. Passou por tudo como se fosse frágil. Como se forjasse culpa e arrependimento. Não suporto a atuação. Mas fiz meu papel de superada. 

Fiz escolhas ruins para fugir da minha contradição.

Eu já deveria ter aprendido a não entrar em contradição. 

sábado, 16 de junho de 2018

Sobre árvores e pássaros

Ela me perguntou uma vez sobre preferir ser árvore ou pássaro. 

O meu entendimento me levou a pensar que isso significava uma espécie de estado de espírito dividido entre criar raízes permanentes ou escolher a autonomia e liberdade. Deve ter mais coisa do que isso nessa pergunta, mas parece uma dualidade difícil e desconfortável. Espero que seja uma falsa dualidade, na verdade, rs. E aí que ele me mandou um treco assim pra olhar, dizendo que não se sentia totalmente alinhado com essa idéia. Pois bem, segura aí que vem textão.

Nenhum texto alternativo automático disponível.

> Parte 1: Em memória, as histórias que ouvi

Minha avó materna "falava" com passarinhos. Eu me lembro de passear com ela na rua e que ela gostava de imitar os pássaros por aí, assobiando. Eles respondiam. Minha irmã se interessou por isso mais do que eu, virou tatuagem na perna. Meu avô materno também gostava de passarinho. Aprendi a assobiar cedo, por influência deles. Gosto da idéia de conversar com passarinhos, mas tinha uma imagem nada romântica na casa dos meus avós de mulheres servis de pele escura e gaiolas barulhentas no quintal do apartamento. Acho que isso diz muito sobre a distorção da imagem causada pelo avanço da sensibilidade. Coisas que nos forçamos a criar afeto e sentir um certo romantismo, porém algo dentro de nós fica desconfortável, sentimos esquisito.

Minha avó "Santinha", a mulher que criou meu pai, por outro lado, nunca se adeqüou muito bem a conviver com bichos. Ela nunca se casou. Acho que morreu virgem, porque pregava muito catolicismo. Ela teve um papagaio que vivia fugindo da gaiola. Ela queria deixá-lo solto e entendeu que não podia prendê-lo, em algum momento. Não sei como ela absorveu essa informação, muita gente sente que querer liberdade não é uma resposta para uma infelicidade condicional, mas leva pro pessoal, como se a questão fosse sobre a própria insuficiência de fazer o outro ser feliz. Como se espantasse tudo pelo que cria afeto. 

Gostaria de ter conversado com ela sobre isso. Sempre penso que gostaria de ter conversado com ela mais sobre as coisas. Enfim, era difícil. Ela gostava muito de dizer a regra da vida dos outros, por essa questão de precisar manter a imagem de católica, sob a pena de ser julgada por suas escolhas de vida. Parte de mim romantiza e acha que a parte Santinha era só um disfarce e que havia coisas mais interessantes ali. Ela acolheu um casal de gatos por um tempo que chamou de "Duque" e "Duquesa" e também teve aquário na sala. Quando o peixe morreu ela ficou triste. Não entendi o negócio do peixe porque ela comia peixe, mas não discuti. Gostava de alimentar e olhar o peixe, mas sentia esquisito.


O irmão dela, pai do meu pai, casou três vezes. Na primeira vez, foi casamento arranjado, com uma menina de 15 anos, em algum lugar do nordeste. A gente imagina muita coisa, mas disseram que a família veio "fugida" para São Paulo. Ela, a mãe biológica do meu pai, fugiu e "abandonou" meu pai. Ele sofre muito com a dualidade entre a puta e a santa, porque acho que dói muito o abandono, mas pela relação que teve com o próprio pai, ele deve ter capacidade de entender o grau de violência e algo sobre ausência de afeto e amor. Será que ele sabe sobre estupro marital? Acho que eu preciso conversar com ele sobre isso, talvez traga um desfecho emocional diferente para ele entender a trajetória da violência.

A gente ouve muitas histórias e vive um pedacinho do que absorvemos da história dos outros, quando estamos sensíveis a isso. Todos nós temos as nossas incoerências e alguma dose do que estamos dispostos a aceitar, mas que em outro momento pode parecer absurdo e inaceitável, até pra nós mesmas. Essa música me marcou muito, pelo tratamento dos desprazeres, sensação de afogamento. Me incomodo profundamente com a idéia de morrer como decoração das casas.

> Parte 2: Os aprendizados e as vivências mais próximas

Sempre me lembro da casa dele, que tem aquele imã com uma tirinha meio zueira, respondendo a essa idéia da liberdade no discurso, mas o sentimento de propriedade na prática. O último quadro diz "Volta aqui, fxdxp" depois de uma bela fala sobre amor e liberdade. É difícil mesmo. A gente foi ensinado para TER de um jeito muito particular, quando se trata de pessoas.

Quando me separei dela, repeti pra mim e para o mundo o mantra de que "quando a gente ama as pessoas, a gente quer que elas sejam felizes, independentemente da gente". Eu acredito nisso e tento mesmo praticar, muito embora a sensação de insuficiência seja um fantasma. É sempre uma questão vaidosa sobre as nossas insuficiências e um arranjo maluco sobre a real necessidade e benefício dos vínculos afetivos. E eu passei pela idéia de que somos laranjas inteiras, copos cheios, etc. 

Quando rolou esse papo sobre buscar liberdade com a mãe dela, senti estranho. Tinha a ver com sair da casa dos pais, desejo por autonomia e independência, crescimento e experiências novas. Ela achava que ela tinha feito algo de errado e sentia culpa pelo fato de que a filha queria ir embora. Eu, honestamente, não entendi muito bem. Achei bizarro. Não é um processo natural o da independência?


EDIT: Pausa para o sofrimento com o ódio às mulheres no humor. Onde se lê "filho da puta", substituir por "NÃO PASSARÃO". 

Falando em "natureza", acho curioso como esse negócio da dependência e das situações abusivas está intimamente ligado à uma insatisfação pessoal e uma projeção na vida do outro. Para as mulheres, acredito que isso é particularmente forte porque vamos lá, se as mulheres eram obrigadas à casar, não podiam trabalhar, votar, etc, só lhes restava viver a vida de outras pessoas, não é mesmo? Cara, é impressionante como o problema clássico da psicologia sobre a relação com a mãe não conseguiu entender nada sobre o real problema da mãe! 

Já parou pra tentar entender por que sua mãe te sufoca? Será que ela se sente sufocada? Por que a mãe dela não conseguia entender a vontade de liberdade como algo natural e empoderador, prazeroso, mas como uma situação de fuga ou repulsão? Diz muito sobre como ela se sentia com a própria família, com o marido! E por que será que quando o filho homem e mais velho saiu de casa, para casar, não houve a mesma comoção? Bom, aos olhos de uma adolescente lésbica, tudo me soou absurdo e me pegava pessoalmente pela questão da aceitação e do reconhecimento, mas tive lampejos dessas coisas que estou escrevendo hoje. Constato que foram muitos gritos de socorro desta mulher, gostaria de ter sido mais efetiva nas minhas palavras e nas minhas ações. 

Casar, às vezes, pode ser um passe livre de uma situação ruim também e pode ser o desejo de uma situação melhor, independentemente da situação anterior. Digo "passe livre" porque tem esse aspecto das expectativas sociais sobre o que se deve fazer na vida. E família, casamento, filhos, relacionamentos em geral têm esse peso.

Outra coisa sobre as mães é que, nesse processo de projeção sobre a vida do outro, elas vêem uma esperança de vida melhor para elas mesmas. Estou infeliz, vou ter filhos para ver se melhora. Esquisito. Acho equivocado todo o romantismo sobre maternidade e estou com a minha irmã quando ela disse que pode ser algo muito egoísta, ao contrário do que a dedicação ao outro pareça exigir. 

E assim são os relacionamentos todos: obrigatoriedade dos laços, status social, cumprimento de papéis, propriedade sobre o outro, projeção dos desejos e medos, dor e delícia. Acho muito importante se perguntar o porquê das dores e das delícias. Uma amiga falou sobre relacionamentos abusivos e o perigo de se anular não percebendo. Às vezes você está sendo refém dos seus desejos, acho que vale considerar a hipótese, mesmo com o risco da gente cair numa auto-censura. Por quê queremos o que queremos mesmo? Enigma resolvido do vício de ser incendiária. É um exercício legal tentar se entender.



Salve, Renata. Assistir versão legendada aqui:https://www.youtube.com/watch?v=DArFXiuNE3U

Enfim, voltando: normalmente que está categorizado como "natural", passa batido aos nossos olhos, como se estivesse tudo em seu lugar - disse para ele. E quando a gente olha pra natureza, o que mais observamos é a diversidade das formas, penso. Quando eu estava no relacionamento com ela, pude ter a liberdade de tentar fazer tudo do jeito que achávamos melhor, porque estar com ela já era um constante questionamento interno e externo sobre como se relacionar com alguém. E a gente queria que fosse ótimo, a gente se esforçou pra que fosse ótimo. Discutimos, sonhamos e experimentamos bastante: acertos, erros e muito aprendizado. Gosto de viver a diversidade e espero vaidosamente não caber numa fórmula pré-concebida. Que haja espaço pra novidade.

> Parte 3: Prazos de validade indeterminados & pesquisa de satisfação

Eu também acredito que essa perspectiva do amor mais livre traz uma noção entre ser e estar muito diferentes (salve, Angélica). 
Quando a gente é "algo de alguém" existe uma questão muito forte de identidade e papéis socialmente estabelecidos. Bom, não preciso mencionar a questão do sobrenome do homem permanecer na cultura brasileira, estou carregada de argumentos feministas, mas queria tratar o assunto sobre outra ótica que não o da propriedade sobre o corpo dos mulheres. A propriedade, por si só, é um ponto importante aqui. E quando "estamos", aceitamos a volatilidade da matéria, a permanência se torna facultativa e estamos em constante processo de aprovação. Menos segurança, maior liberdade - aquela equaçãozinha filosófica do mestre B. 

Uma outra amiga tentou me convencer sob a ótica da refeição. A idéia era de que se quando a pessoa com quem você se relaciona é "suficiente", não sobra espaço para outras pessoas, para outros desejos. Concordo parcialmente. Parte de mim quer romantizar e pensar que refeições são ótimas analogias a relacionamentos, porque se você come bem, quer comer de novo. Se come pouco, e é bom, até quer comer de novo, mas eventualmente fica meio fulo da vida com a relação custo-benefício. E se você come demais, fica estufado pensando na sua própria gula.

Brincadeiras à parte, verifico a experiência de me sentir vinculada a ponto de não buscar e não abrir "brexas", mas percebe o quanto isso pode ser também sufocante? Eu até entendo a crítica contra a inércia, a balança constante do equilíbrio dos relacionamentos que os fazem valer "a pena" (da restrição da liberdade?), mas pera lá. Em que medida não caímos na questão de que precisamos da vida do outro para fazer a nossa melhor? Isso me assusta um pouco, ao mesmo tempo que uma lógica de estar sempre aberto a novas oportunidades de negócio e parceria também me parece demasiadamente fria e utilitarista. Até que a morte nos separe pode ser confortante ou desesperador, assim como até que a vontade deixe de existir.

Pássaros cantam, fazem ninhos, voam e migram - ou não. Plantas criam raízes - ou não, ficam e duram por gerações - ou não. Lembrando das aulinhas de biologia, lembro algo sobre na cadeia alimentar os pássaros serem consumidores primários e as árvores serem consideradas produtoras, pois produzem alimentos para outros e para elas mesmas (ainda que precisem do SOL para fazer fotossíntese). Acho uma grande bobagem essas construções de regras gerais sobre as operações da natureza. São tantas possibilidades! Ambos, pássaros e árvores, disseminam sementes para novas plantas - ou não. Árvores e pássaros precisam um do outro (ou não) e de condições favoráveis para se desenvolverem.

No final das contas, o que eu mais quero é querer. E pelos motivos certos. Acho que pra amar tem que querer também, senão sente esquisito. Parece confuso? Rs. Pensei nisso quando estive em Pardinho. Tinha uma vista bonita com uma gaiola aberta, com comida e água dentro. Entre se quiser, passeie quando queira, volte se interessar. Não gosto nem de portas e nem de gaiolas, mas se a existência delas não é facultativa, que possa haver condições de permanecerem tranquilamente abertas. 



"Nascer, crescer e morrer
Este é o jogo da vida
Só que ele não é tão simples assim
Antes disso eu quero um carro, 
Um monte de contas pra pagar
Porque só consumindo com um cartão de crédito 
é que eu vou conseguir me realizar"  
Discarga - Jogo da vida

Disse para ele sobre a esperança de que tudo possa ser melhor.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Perseguindo ideais

Natalia, você é o absurdo, ele me disse, uma vez. E houve quem concordasse, à época. Hoje ouvi que preciso me adeqüar, que desse jeito não dá. Que estou a perseguir coisas muito ideais. Sim, não acho que estou perseguindo qualquer coisa material. E que tipo de coisas que não são ideais, ora essa?

Se eu estivesse nadando de fato contra a corrente, quanto tempo demoraria até a exaustão? Sinto que preciso perder a consciência para parar de me debater. Todo esse exercício me cansa. E eu odeio teatro. Não quero fazer nada para me odiar, quero ser gentil comigo mesma, ainda que o mundo insista para que eu deixe de lado meu bom juízo. Meu desejo de justiça. Meu compromisso com o que acredito.


Hoje ela me perguntou se eu realmente queria pedir algo para os tais guias espirituais, pois falei para ela me dar uma dica, em tom jocoso. Não gosto de me sentir só. Ela não gosta que duvide das certezas dela. Eu acho que eu também não. 

Ai, os ais. Estou que não [me] caibo.