Dos resmungos: não gosto quando gostaria que você estivesse e você não está. Sei que você não gosta também.
Não gostei do abuso emocional que percebi nela. Não gostei quando eu percebi e não gostei da exposição desnecessária.
Do passado: achei graça em encontrá-lo, como sempre, por acaso e sincronizado. Achei graça em sua vontade de fugir. Porque para mim passou. Aí me lembrei daquela palavrinha que me foi atribuída e estou a me preocupar em não ser (mais?) assim. Então na verdade não tem muita graça, é meio triste também.
Achei graça em ter razão e na minha ausência sentida - apesar de não sentir ter partido. Mas acho que vai ser bom para ele ouvir da pessoa certa o que precisa ouvir e vai aprender, de uma forma ou de outra.
Achei graça no seu gosto repentino. Ela estava me dizendo que achava que você não me entendia. Mas você era interessado e esforçado, o que já é bastante coisa. Recado para você: vez ou outra, a gente acha que sabe o que quer, mas a gente descobre que não sabe - e tudo bem. Porque as possibilidades também fazem parte do desejo. E o desejo é assim mesmo, duvidoso, porque gosta de fantasias e disfarces.
As lições: bom, quando ele me perguntou sobre a minha capacidade de escutar o que os outros pudessem me dizer, mais uma vez, serviu.
Dos sonhos: é, foi bem intenso perceber que mesmo se eu tivesse condições de repetir uma experiencia, minha cabeça está em outro lugar hoje - que bom! Por isso quero tomar cuidado para não magoar as pessoas. E tomo cuidado pra que não seja obsessivo. Como disse para ela, o que a gente quer é ser feliz.
Entre o que queremos e podemos existe um longo caminho a ser percorrido, não é mesmo?
Eu acho mesmo que uma mudança de atitude - do impossível ao como chegar lá - é fundamental. Porém, é melhor que você não aposte todas as suas fichas na mudança de comportamento do outro, especialmente quando esse outro tem outras expectativas sobre você e poucas expectativas sobre a mudança nele mesmo.
Ah, nada melhor do que um belo sonho complicado pra nos inspirar a pensar nas nossas metáforas, não é mesmo? A nossa capacidade criativa é uma beleza, já estava com saudades. E nada melhor do que uma bela viagem pra gente se inspirar e dar aquela meditada nas fases da nossa vida. Pois bem, este é o prólogo. -- Primeiro conjunto de elementos - o perigo e a fuga: vale dizer que estavam tentando me matar, sabe-se lá o porquê. E aí rola uma fuga e perseguição louca, que finaliza apenas com esconderijo junto a um guardião de floresta que dividiu sua barraquinha de camping comigo, hehe. O segurança me ajudou com a minha segurança dentro de suas precárias condições de proteção. Aí consegui pular aquele muro. Segundo conjunto de elementos - as dívidas e as auto-cobranças: não é novidade que eu não gosto de dever nada para ninguém e aquela professora - vale dizer, bela representação, da mais respeitosa estirpe na minha mitologia familiar - veio me cobrar de um brinco, de não sei mais que coisas que eu tinha tomado para mim e ela estava magoada por eu não tê-las devolvido. Muito bem, acho que dá pra superar essa pelas ordens do evento do mundo, tirando meus fantasmas dali. Terceiro conjunto de elementos - as paisagens e os encontros: destaque para minha irmã, que me achou, sem nada, vagando à pé por SP. Quem é que sabe quem é você quando você está por aí, sobrevivendo à caminho de casa? Acho que dá pra estabelecer intenção de ajuda e confiança, né, mesmo com todas as rivalidades infantis e as ações tortas que fazemos. Ninguém tá querendo se prejudicar aqui. E aquelas pessoas que cruzam com a gente, em novos cenários, em brisas dramáticas de transição de fases, acontecem por algum motivo. Eu tomei bronca, eu confiei na brincadeira do castelo e nas vivências do passado e partilhei a vontade de não entrar no mar - pelo frio ou pelo medo de tubarões. Quarto conjunto de elementos: aqui voltou a questão da cobrança, porque eu não pulei no "já". E me vi sendo cobrada pela falta de atitude gerada pelo medo. A gente precisa respeitar o medo dos outros, eu sei. Mas tem aquele lado nosso que acha que o medo dos outros é tão irracional, tão aprisionante e limita tanto as pessoas. Eu acho que uma boa linha de respeito aqui é realmente entender que o seu medo não deve servir de limitação para os outros - e agora estou mesmo falando de outra coisa. Essa é a medida justa do equilíbrio que você deveria buscar, se você tivesse pedido minha opinião sobre esse assunto. -- Mas voltando pra questão daquele tubarão, vou entrar em contradição sobre o que a minha linha cética me fez afirmar há alguns dias, rs. Acho que existe uma simbologia dos arquétipos sociais importante a ser sempre desconstruída. Sim, o tubarão representa o medo, mas medo do quê, né? Nesse caso acho que, de todos aqueles tubarões com quem eu nadei e sobrevivi, não posso ter medo de enfrentar mais um, rs. O querer sempre precisa ser respeitado e rola aquela dúvida que paira sempre nos campos afetivos e materiais sobre a porta que se abre e você já vai entrando, mesmo que estivesse seguindo o corredor atrás de outra, rs. Devo entrar, devo passar reto? Quanto tempo e quantas oportunidades vou perder, o que vou ganhar? A balança é mais promissora comigo fazendo contra-peso, ele acredita. Vamos ver no que mais as pessoas acreditam e o que a gente pode fazer de produtivo com isso, mais uma vez =].
Eu ia começar a divagar sobre o relógio, sobre o quanto que ele é precisamente irritante e aprisionante, mesmo que fique no canto da sala... mas aí fui olhar por aqui e percebi que ando assim, meio redundante - como não podemos deixar de ser nos nossos círculos viciosos.
Falei pra ela, uma vez, assim, como quem diz procurando uma espécie de frase de biscoito da sorte para repetir que surtisse algum efeito positivo e momentâneo, ainda que raso: "está terminantemente proibido não fazer algo a respeito da sua própria (in)felicidade".
É.
Também disse para ele que não era seu papel a motivação. E lembrei que falei para d. Encrenca duras palavras quando ela falou sobre sua dificuldade de se sentir motivada.
Eu sinto falta da liberdade. Quase sempre.
Queria me livrar dos meus vícios, mas não sou melhor do que isso. Apesar de querer ser melhor, não posso ser. É duro crescer e conhecer seus limites. Mas, de novo, d. Encrenca escreveu na fucking lousa a lição: "As pessoas não são o que esperamos delas. (Ainda bem!) Elas são só o que elas podem ser.".
Eu sinto falta e tenho medo da morte.
O relógio é, sempre, precisamente irritante.
Temos e não temos tempo. O que vamos fazer a respeito disso tudo?
Vaidade, rancor, mania de controle e paranóia. São essas as quatro chaves que trancam as suas possibilidades. Existe a cela, existe o cubo e um jogo. O que a cela e o cubo têm em comum são as duas chaves que faltam. Entenda: são cinco faces perdidas para uma que vira. Como na sinuca: confiança, sorte e azar. São combinados. E também são acasos. Claro que a gente sempre pode contar com os artifícios... o mundo, sem a arte, fica muito sem graça.
Són las cuatro y treinta y ocho minutos y estamos donde tenemos que estar.