terça-feira, 29 de janeiro de 2019

"Tem que ver do que é que você está fugindo"


Well, I’ll tell you a story
of whiskey and mystics and women,
And about the believers and
how the whole thing began.

Welcome home.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Dos sentidos

Afina teus ouvidos.

Da sintonia fina
Que nos extravasa
Da morte e vida severina
E o querer sentir-se em casa

As plantas e sementes
Os cacos e ruídos
As velhas dores dormentes
As novas fumaças e fluídos

Da faísca risca
Faca corta e pica
Prepara a tua isca
Pesca, come e fica

Permanece
Ensaia a fuga e respira
Reconhece
Reconstrói a tua gira

Refina o paladar.

Vem da terra, água e ar
A vida que se propaga
Em todo alimentar
Vale o preço que se paga
A condição elementar
Da feita-coisa confinada
Mantida e cultivada
Pro prazer de degustar

Processado 
Historicizado
Mal-contado
Pouco ou muito utilizado
Vai de acordo energizar
Todos que podem falar
E rudemente dispensar
O passo a passo do pensar

Exercita teu olhar.

As formas e funções
com suas normas e grilhões
A matéria e as medidas
Destruídas, distorcidas

São camadas e camadas
Trazidas e levadas
Conforme o movimento
Interno e do vento

O ponto em que se firma
Perspectiva da tua mira
Se é denso, raso ou fundo
É preciso correr mundo








quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

A única moral possível de todas as histórias

acredito ser a incansável capacidade do ser humano de ser desprezível.

Românticos diriam que há coisas lindas e tipicamente humanas...

Ná. 


A única moral possível de todas as histórias: humanos são irresponsáveis, cruéis e mesquinhos. E não entendem que seus deuses são apenas representações caricatas de suas inseguranças e carências. Se apegam a qualquer coisa para terem licença de serem (e continuarem sendo) babacas. 

Eu não sei se nada disso é natural, porém como a nossa própria idéia de natureza é socialmente construída como algo praticamente imutável, uma espécie de força avassaladora, parte de mim se esforça em tentar entendê-la para descondicioná-la. Não sei se é possível. Não sei se me é possível não tentar. E não quero biscoito. Quero não sentir vontade de gorfar.

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Lembranças: acusação descabida sobre ela ter roubado um livro (suspeita de rota de fuga), paranóia de estar sendo "zoado" em uma trama sádica, dizer que SE SOUBESSE teria feito diferente. Escrevo uma carta, sou empática, falo sobre "calos emocionais". Silêncio. Espero ter pegado no dele. Ela também, do jeito dela. Love me two times. We're gone away.


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Existe amor além da dor(?) 

Respiro fundo. Penso: todas as vezes em que ele me cansou de falar suas asneiras eu criei respostas pra elas. Ele conseguiu um equilíbrio delicado de humanidade na minha visão em que eu já espero que ele me traga uma bagagem equivocada (eu não espero que ele esteja certo) e cruel sobre as coisas, porém aprendo com isso. Aprendo porque tem verdade ali. 

Aprendi que atrás de toda dor tem outra dor e talvez não tenha havido o amor ou sensibilidade para senti-lo. É o problema da rigidez. A rigidez é triste defesa adquirida, memória muscular difícil de contornar. As dores são reais. Bate direito. A carne fica amortecida e nervosamente se fibra. Coração é carne e a carne é forte. Perdemos o medo. Enfrentamos. Perdemos o toque. Somos casca grossa. Os calos emocionais.

E qualquer coisa pode ser muita coisa.

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Meu maior medo sempre foi perder a cabeça. O descontrole sempre me pareceu inaceitável. Não aceito os meus. 

Olhando para ela e para ele, entendi que não se perde a cabeça sem correspondência com as questões emocionais. São questões, quando conseguimos formulá-las. Às vezes não conseguimos.

Pode o excesso de estímulos causar o entorpecimento do pensar? Em que medida buscamos e nos defendemos disso?

sábado, 24 de novembro de 2018

Dos conselhos que eu também preciso- o espaço para os sonhos

Falei para ela sobre os padrões inatingíveis, sobre a responsabilidade afetiva com o outro e sobre reconhecer de forma mais objetiva o que a gente representa pros outros e o que os outros representam pra gente.

Também andei conversando sobre o quanto que deixamos de viver de acordo com o que acreditamos, como isso pode ser engrandecedor e que a recompensa mais óbvia pode ser apenas o prazer do desfrute imediato, a satisfação dos meios pelos quais os fins chegaram.

Não acredito que esse caminho se afaste do outro, sabe? O original pensar sobre o futuro e uma projeção de si mesmo no tempo, com o peso da ética, da segurança de construirmos e viabilizarmos formas de sermos que queremos ser. Sabemos o valor do tempo, não sabemos? Especialmente de seu desperdício.

Nesse sentido, qual o espaço para os planos? Aqueles que brincam de forma muito íntima com nossos sonhos? Por que condicionar os sonhos ao campo da fantasia e do imaginário quando podemos trazê-los para a prática efetiva e fazer de nós mesmos donos mais satisfeitos dos nossos sonhos, planos e prazeres?


Uma vez ela me disse, com certo ar de sapiência sagitariana-espírito-livre, que de nada adiantava fazer planos porque a vida vinha e mudava tudo. Ouvi pensando que não, que os planos são importantes, sim. Pessoalmente, me motivam. Acho que se apegar muito a eles pode sim gerar essa sensação de "castelo de cartas" e acho mesmo que existe algo de muito sábio em entender o movimento das mudanças, tendo flexibilidade para não perder muito tempo sofrendo com as impossibilidades. 


"Talvez a melhor ajuda que se possa oferecer, a melhor proposta, o melhor acordo a alguém traumatizado, entediado, ou mesmo desistente, seja um plano. Talvez um plano de fuga ("vamos dar o fora daqui" haha), um plano de vida, talvez algo menos pretensioso e mais imediatamente desejoso, como plano de uma noite, de uma foda, um convite prazeroso, uma proposta pro agora, uma proposta pra depois. Estou dizendo como quem quer dizer: tudo menos a ausência de possibilidades. Talvez isso tenha alguma coisa a ver com a tal da morte dos sentimentos, a ausência de possibilidades."
sábado, 5 de setembro de 2015

A impossibilidade é algo muito difícil de ser admitido. Parecemos crianças mimadas que não aceitamos "não's" da vida. Ao mesmo tempo, é importante e admirável a persistência e a disciplina, a ousadia de se tentar ser, criar, transformar.

Daí que ele achou Guy Debord confuso. É mesmo, um pouco. 

Você sabe "o tesão tem razões que o próprio tesão desconhece". E o lance do fetiche, assim como o fetiche da mercadoria, é que ele está ligado e se manifesta em relação ao quão inatingível e distante do ser  (perante ao qual o objeto de fetiche se coloca). É uma espécie de resposta de fuga ou repúdio da realidade. Pode ser uma pessoa, um estilo de vida, uma idéia, uma coisa qualquer. Uma COISA qualquer. Acho que vale ressaltar esse aspecto da objetificação, novamente.

Vou deixar uns excertos por aqui, porque considero o que conheci das idéias do Debord  importantes, apesar de confusas:


"O mundo ao mesmo tempo presente e ausente que o espetáculo faz ver é o mundo da mercadoria dominando tudo o que é vivido. E o mundo da mercadoria é assim mostrado como ele é, pois o seu movimento é idêntico ao afastamento dos homens entre si e face ao seu produto global."


"O espetáculo é uma permanente guerra do ópio para fazer aceitar a identificação dos bens às mercadorias; e da satisfação à sobrevivência, aumentando segundo as suas próprias leis. Mas se a sobrevivência consumível é algo que deve aumentar sempre, é porque ela não cessa de conter a privação. Se não há nenhum além para a sobrevivência aumentada, nenhum ponto onde ela poderia cessar o seu crescimento, é porque ela própria não está para além da privação, mas é sim a privação tornada mais rica."

"O espetáculo é a outra face do dinheiro: o equivalente geral abstrato de todas as mercadorias. Mas se o dinheiro dominou a sociedade enquanto representação da equivalência central, isto é, do carácter permutável dos bens múltiplos cujo uso permanecia incomparável, o espetáculo e o seu complemento moderno desenvolvido, onde a totalidade do mundo mercantil aparece em bloco como uma equivalência geral ao que o conjunto da sociedade pode ser e fazer. O espetáculo é o dinheiro que se olha somente, pois nele é já a totalidade do uso que se trocou com a totalidade da representação abstrata. O espetáculo não é somente o servidor do pseudo-uso. é já, em si próprio, o pseudo-uso da vida."

"A consciência do desejo e o desejo da consciência são identicamente este projeto que, sob a sua forma negativa, quer a abolição das classes, isto é, a posse direta pelos trabalhadores de todos os momentos da sua atividade. O seu contrário é a sociedade do espetáculo onde a mercadoria se contempla a si mesma num mundo que ela criou."



Guy Debord, A Sociedade do Espectáculo - Capitulo II

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Dica para melhor aproveitamento dos textos: se a palavra "trabalhador" incomoda seja porque faz alusão à sociedade do trabalho e da produtividade, seja porque está "fora de moda", substitua mentalmente apenas por "pessoas". No final, é o comportamento humano que interessa aqui.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

O tempo das mudanças

A acidez me vem como uma resposta imediata à oleosidade. Sabemos.

Estamos saturados. Eu, cansada de brigar e apontar. Quero o conforto do silêncio. Sei do valor. Você está lendo melhor. Se viu mau negociador. Eu jogo na defensiva. Perco todas nesse jogo. A realidade não acompanha o virtual. A confiança é importante.

O tempo passou. Nos escutamos.

E, das pequenas vitórias, que bom que passamos dessas fases todas. Que venham as próximas.

Ela disse que precisamos acreditar nas mudanças. Nos outros e em nós.

Concordo. Sou testemunha e tenho grande respeito pela ordem do tempo. O meu tempo não gosta de cobrança, gosta de orientação e direcionamento. Também não gosto de pressa. Acho atrasos desrespeitosos, mas entendo que são inevitáveis, ocasionalmente.

O tempo faz sua justiça. Ou sua vingança.

domingo, 28 de outubro de 2018

Poetic justice will come in time


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Só vou deixar de ser quem eu sou morrendo e não contem com meu suicídio.
Hora de fazer a Nara ;)

Beijos históricos.