terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Choose hapiness

You know that sparkle of life that struggles with the current reality?
You know that sense of justice, of everything that should be fixed around you?
You know that feeling that everybody got what they wanted and when it is your turn - well, but the truth is that there isn't really your turn?


Well, just forget about it.
Empty your mind. Let everything go.
You became what you've always hated. Debts and piles of useless things.


But still, you can be happy. Happiness is a choice. 




sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Stretching

I’m trying to be flexible. And not losing my moves. My body stretches. I stretch the time. Quick adjustments with the proper pressure, in the proper place, bring relief. Stressing and relaxing, I’ll exercise my patience and my self-love. I’m willing to put in the effort. And I love feeling strong. Can you keep up? 

I feel like my mind is trying to have a conversation with my body. This environment is toxic and a trap. I’m always on alert. But I got a tough skin and an elastic heart.

I’m still fighting for peace.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Do auge dos meus 30 anos


Eu quero leveza. Tranquilidade é um trabalho de longo prazo. Pelo menos para mim. Também não quero re-sentimentos. E me pergunto se isso é comigo ou com você. Eu sei do meu paladar, eu acho. Doce, amargo, azedo. Salgado. E o intragável. Eu fico brava quando você me deixa sozinha porque eu me sinto lunática. Boba. Sem serventia. E quando fico, porque tenho que ficar, me sinto presa. E parte de mim tem instinto caçador. Reprimido. Aprendeu o que é vergonha. Que o poder embriaga e atropela os outros. Mas não estou lá ainda também, como ele disse. Eu não quero te anular e nem me sentir anulada. Essa conta dificilmente dá 0 no final.

Quando olho para esse lugar, vejo muito dela por todos os cantos. E muito dela que ficou em mim e eu já nem sei mais separar. Sinto realmente orgulho e satisfação, como te disse, hoje. Era tudo muito intenso e permeável. A gente se permitiu muito. Eram os tempos e as condições. Mas também tem esse velho sentimento de controle e dominância. E de fuga. E de carência. E de auto-compensação. Eu escrevi: "o amor é um doce cujo prazo de validade já venceu - e você não saboreou em tempo". Não sei se foi sincero. 

Eu tenho medo de mim. Eu me coloco na rédea. Tenho mais energia para me parar do que para me fazer avançar. E preciso dessa ajuda. Sempre precisei. Sempre precisei? Eu estou constantemente insatisfeita e não dá pra romantizar sempre isso. 

Tem um lado meu indisposto hoje. Outro me aponta o dedo e me manda cumprir minhas obrigações. E vem umas faíscas de alegria e prazer que pedem permissão pra se manifestar. Eu não dou. Porque acredito numa ordem cósmica que me castiga quando está tudo bem, então vou colocando uma barreira de pequenas coisas na minha frente e fico observando, discretamente. Quando eu fecho meus olhos e me permito um pouco de descontrole, eu solto. E o vento leva. E traz. 

sábado, 21 de novembro de 2020

Dos medos e dos desejos

E o desejo de não sentir medo, quem sabe? Hoje faz sentido.

Temo que esteja guardando meu desejo em gavetas enquanto espero por você. Temo que ele se sufoque e me faça nem mais ressentida... que ele suma, como tantas outras coisas que sumiram.

Não sei em que tempo você vive, se toda a tua estrutura vai me deixar alguém de verdade. Honesta e desejosamente aqui, sabe? Fazendo valer sua oportunidade de estar e ser.

Temo que o medo tome o espaço do desejo. Não gosto de me sentir desgostosa. Não grito para olhar para mim, mas espero que você olhe. Sei que te falta vocabulário e repertório para algumas coisas básicas.

No fundo, espero algum tipo de recompensa. O problema é que as chances delas não existirem são bem altas. O reconhecimento que eu preciso demanda algo que talvez eu não tenha capacidade pedagógica de elaborar. 

E são meia noite de um sábado qualquer para um desespero e um alívio adolescente qualquer em você. E são meia noite de um silêncio qualquer e de uma inquietação assombrada sobre expectativas e realidade.

Que o medo seja menor do que o desejo. Que o desejo não seja movido pelo medo. Nem pelo impulso de auto compensação. 

Ninguém me disse, mas eu também tenho direito de sonhar. Na minha utopia, se trata de cláusula pétrea. 

Desejo satisfação. Suficiência. Correspondência no olhar, tocar e agir. 

Não sei ensinar. 

Boa sorte pra nós.


—


Justifico tudo para ela. Quando eu percebo seu convencimento, eu mesma me sinto desconvencida. As oportunidades são muito raras e minhas exigências são constantes.

O mundo é grande, o tempo é curto e o que eu quero só importa para mim.


sábado, 10 de outubro de 2020

Das crônicas autônomas [e sobre o que queremos]



"Chama o Zabelê pra poder te conhecer"

Entre o simbolismo e a materialidade no tempo e no espaço do que queremos, entendo que a busca é importante. Aos que ainda ousam sonhar - repito, sem medo de errar. 

Há mais continuidade em nossos passos do que fragmentos? Quais são as condições para a mudança efetiva? Dedico-me a estas questões por motivos de saúde mental. 

Disse a ela que precisamos aprender a nos comunicarmos melhor. Disse também que é um desafio falar de coisas difíceis de uma forma fácil. A gente cria esses labirintos como uma forma de se mistificar. De se resguardar por meio de caminhos difíceis.

Nós reencenamos dramas infantis. O tempo todo. E construímos personagens, fazemos "voz de dublagem", alteramos o tom de nossa voz, fazemos bordões. Qualquer disfarce para não sermos quem somos pode carregar muita violência interna. 

Sobre o mundo... ele é grande. E pode ser mais do que a gente consegue ver. Por isso é importante olhar, imaginar. Não para ficar só com esse fragmento de realidade ou de sonho. Mas pra construir caminhos e estratégias de ocupação desses lugares. Sabe?

É isso. Conversar pode ser difícil. Autoaceitação pode ser difícil. Sentir-se permeável pode ser difícil. Mas queria te dizer também que você se conhecendo fica mais fácil dar esse jeito de sair da máquina centrifugadora das nossas condições materiais. Há mais poder em nós mesmas do que costumamos pensar que há.


sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Das crônicas de bar [e sobre o que buscamos lá]

Eis que me pego entre o amendoim, a cerveja, a quarentena e o dia do psicólogo.
Foi ontem. Dei parabéns a ela. E quis vir escrever sobre ele.
Porque quando ele frequentava o bar eu achava graça em seus trejeitos.

Como quem buscava se curar de suas agonias acumuladas em doses generosas de coxinhas.

Como quem buscava uma maneira de disfarçar seu estar-ali com panfletos deixados sobre a mesa.

Como se a curiosidade batesse em sua janela sobre o que se passava ali do lado.

"Trotsky!"
Ele gritava. De forma explosiva. "Cerveja Trotsky!". 
E escrevendo assim me lembro do Rafael e do escritor, aquele senhor cujo nome não lembro, mas que me deu um livro de presente. José Simão. E a solidão de todos os homens.

Porque hoje conversei com Angélica sobre homens não conversarem direito. E porque outro dia também me atentei as estatísticas de suicídio e antes disso, ainda, que
(pausa dramática para beber a cerveja e entender os olhos cheios de lágrimas)
Antes disso, ainda, que os homens precisam contornar a hipótese de que são agressores e estupradores em potencial como pressão da sociedade machista.

Os olhos cheios de lágrima vieram mais cedo. Talvez porque aquela casa guardava alguns sonhos, talvez porque quarentena. Talvez porque amigos. E um amigo, dos velhos tempos de blog, que teve a Elis e eu ainda não pude conhecer, falou sobre ir, de fato, conhecê-la. 

E a sensibilidade dos homens (ainda) me comove.  

Muito antes de eu parar naquele quarto ao lado do bar em sessão com ele, houve quando ele encontrou um paciente e de forma engraçada tentou se esconder. Explicando uma coisa qualquer sobre a necessidade daquela reação assustada.

E não há como não pensar no seu silêncio. E no fato de que qualquer coisa que ele tivesse falado ali naquele quarto quebraria a minha segurança em ali desabafar todos os meus "ais". Eu contei para ele que ele estava ali porque achava que entendia minha visão de mundo. Contei que tinha medo de homofobia. Contei muito sobre minha família, meus pais, euzinha e o machismo. Chorei. 

Um dia eu chacoalhei a cabeça dizendo que não podia "confiar". Ele me gritou um "por quê não?!" e eu não quis responder. Achava que estava certa. Mas não quis contar. Porque eu queria estar errada. Mas eu não estava. E há um alívio no dia de hoje em estar tudo bem, no tempo certo das coisas.

Enfim, eu saí daquele quarto. Não sei se era a hora. Mas estava cansada de me ouvir. Self pity. Eu não podia pagar, mas eu precisei. E agradeço o acolhimento. Foi importante.

Me lembrei dele quando assisti ao seriado do Trotsky na Netflix. Pensei no que ele queria dizer. Fiz um paralelo por cima sobre a minha questão de nunca ser digna de assumir um cargo de poder, enfim. Tive as minhas divagações sobre o assunto. O que ele queria dizer com aqueles gritos só ele sabe. Talvez um dia saberei.

De longe, pensando na sensibilidade dos homens, fica a minha lembrança.



 

domingo, 9 de agosto de 2020

Somos

Uma vez escrevi pra ele algo sobre a possibilidade de respeito mútuo enquanto indivíduos. 

Eu era jovem, era difícil. Ele não me via como pessoa. Foi de próprio punho, foi sentimental. Eu acreditava no poder das palavras para mudar as pessoas.

Já era velha e percebi uma camada de auto-violência. Percebi a falta de cuidado que vinha também com esse problema em não me ver como pessoa.

Dói uma coisa qualquer, de uma lembrança qualquer no meio da brevitude e da delicadeza da vida. 

As minhas dores pedem licença para que eu possa ser pessoa.