sábado, 10 de fevereiro de 2018

Não deixa o samba morrer

Imagine um sotaque levemente português narrando:

- Vais a desistir das coisas? Vais a ficar sentado, vendo a vida passar, remoendo coisas pequenas? 

- Me falta o impulso.
- Pois se já não é tarde, não tempos tempo a perder! You got one shot - e outras bobagens motivacionais. Bora, porra!



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Era feira de ciências. Eu não me lembro se era ele ou se era ela, mas havia uma apresentação sobre os três estados físicos da água. Aquela coisa dos estados da matéria, sólido, líquido e gasoso - também chamados de estados de agregação. Ah, tem também o plasma, que não tá nessa memória.

E o que faz ela mudar de estado físico? A temperatura e a pressão, certo?

Muito bem, para se atingir o estado sólido, os átomos ou moléculas ficam bem unidos por conta de forças elétricas intensas agindo sobre eles. Dizem que os átomos que formam essas substâncias possuem uma estrutura cristalina com formato regular, e essa estrutura fica se repetindo. A energia das moléculas é baixa e elas ficam meio que em repouso.

A liquidez envolve forças de ligação menos intensas, o que faz com que as moléculas fiquem mais afastadas umas das outras e movimentem-se mais livremente, o que também significa maior energia. O líquido possui, por isso, essa capacidade de ocupar espaços e preencher volumes.

O estado gasoso conta com praticamente a inexistência de força de ligação entre os átomos, que ficam separados uns dos outros por distâncias maiores do que nos estados sólidos e líquidos. Os gases possuem muita energia e movimentam-se desordenadamente, podendo ser facilmente comprimidos. Também assumem a forma e volume do recipiente em que são colocados.

O plasma se forma quando uma substância no estado gasoso é aquecida até atingir uma temperatura tão elevada que faz com que a agitação térmica molecular supere a energia de ligação que mantém os elétrons em órbita do núcleo do átomo. Os elétrons acabam “soltando-se” e a substância torna-se uma massa disforme, eletricamente neutra e formada por elétrons e núcleos dissociados.

Dizem que o universo se constitui basicamente de plasma - é o estado físico do sol. E por aqui, mais raramente, podemos encontrar o plasma no fogo, nos raios, nas auroras polares e em alguns bens de consumo produzidos. 
O plasma pode conduzir corrente elétrica melhor do que o cobre, fluir como um líquido viscoso e interagir com campos elétricos e magnéticos, diferentemente dos gases.


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Oi. Bom dia - pra quem é de bom dia.


Malandragens à parte, venho aqui retomar o conceito aristotélico de justiça. É um conceito para os homens - é preciso, infelizmente, deixar avisado de antemão. A história, meus caros e minhas caras, não é justa. Então melhor trabalhar logo o conceito natalístico de justiça, não é mesmo?

Repito o escrito de 09 de dezembro de 2014: "Veja bem, meu bem. Ponha-se no seu lugar. Melhor e mais difícil pra você: ponha-se no meu lugar.".

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Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir 

Que a dor não passa

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Satisfeitos? Mais ou menos.



Das promessas que não podemos cumprir, dos desejos para os quais não há gênios ou lâmpadas mágicas e dos argumentos infalíveis que construímos fica o retrogosto do amargo, dos quases otimistas. Qualquer otimismo é sempre traiçoeiro. A doçura se encontra no quase pessimista, o alívio da sorte perante as possibilidades temidas.
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Todas as iscas que mordemos
Os anzóis atravessados
Nossos gritos
Abafados

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Sorria, você está sendo observado e os "ais"

Ai, a modernidade e seus probleminhas.

Sabe aquela sensação de leveza que sentimos ao nos livrarmos das mensagens e do histórico apagado? Pois bem: é difícil aceitar, mas a história não se resolve com a sua edição, revisão ou omissão dos fatos. Duro, né? Pois é. Testemunhos, testemunhas e conseqüências.

Enquanto coletivo, estamos mais ou menos acostumados com a crítica de que a história é contada pelos vencedores, ou, pelo menos, pelos que detém o poder de contar a versão oficial dos fatos. Porém, enquanto indivíduos, parece que essa brincadeira de expôr e esconder coisas sobre quem se é e o que se faz gera uma falsa sensação de poder ignorar 
os seus probleminhas ou agir como se ou atitudes pouco admiráveis não existissem. Conveniente, né?

O quanto que você mesmo se convence da imagem que constrói para os outros e o quanto que realmente consegue se livrar daquilo que omitiu?


Ai, a consciência. Ai, a hermenêutica.

Ah, mas algo não foge aos olhos do observador atento e sensível, não é mesmo? Sua interpretação sobre o mundo coleciona e correlaciona dados históricos observáveis.


Ai, o padrão de comportamento humano: tedioso, previsível e decepcionante.

E a autorreflexão, como que fica? E os sentimentos atrapalhando e direcionando o seu olhar, pretensiosamente frio e analítico? Despersonalize - ela diz, como se fosse um exercício frequente, sentindo-se calejada e amortecida. E não faz a pesquisa, como se desejasse alimentar suas fantasias impossíveis e improváveis.

Ai, chronic dissatisfaction.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Agradecida, obrigada não.

Das coisas feias, posso dizer que desgosto bastante da ingratidão. Não saber dar valor ao que te oferecem e fazem por você pode te custar a dor da ausência. E é melhor a ausência do que o destrato - bom lembrar. O limite tá sempre ali, na linha do respeito. Cuidado: a segurança da obrigatoriedade dos laços é uma armadilha demasiadamente vulgar pra ser assumida como desculpa da tua falta de tato com os outros.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

And we do take care of ourselves

Os dias e os anos se passam. Nos reinventamos, individual e coletivamente. A cada versão de nós mesmos nascem e morrem pedaços da vida - pequenos e grandes. Às vezes imperceptíveis, n'outras, sentimos muito. E é próprio da instabilidade da natureza a sorte de estarmos, perecíveis que somos. Muito embora também nos peguem as raízes, a geografia, a história das paisagens e boa parte da nossa força esteja ligada às relações de crescimento que cultivamos.

Que possa haver espaço para permanência assim como para a mudança.